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Programando sua mudança




Oportunidade ou canto de sereia?
Todo mundo tem um ideal na vida: progredir. Seja na vida acadêmica, seja no trabalho, a meta da maioria das pessoas é se tornar melhor em algum aspecto e da melhor e mais rápida forma possível.

Devagar com o andor...

O grande problema é fazer tudo com a cabeça a mil. Os antigos já aconselhavam: “não prometa nada quando estiver emocionado, nem tome decisão no calor do momento”. E é verdade. Naquele momento em que a mente está agitada, perdida em sonhos que APARENTEMENTE estão mais perto agora, o lado racional não funciona direito. Na verdade, até funciona, mas o nosso lado emocional está falando tão alto que a voz da razão aparece menos que um sussurro.
Quando aparece uma oportunidade aparentemente perfeita (como nossos exemplos, da bolsa acadêmica ou de um novo emprego), começamos a fazer contas. Porém é comum que façamos essas contas levando em consideração nosso orçamento atual, nas condições de vida que vivemos atualmente – e nem sempre as condições de vida da nova cidade são iguais. Especialmente quando se mora numa cidade pequena com custo de vida baixo, as novas cifras são espantosamente maiores quando se muda para uma capital, por exemplo. Alugueis muito mais caros, alimentação muito mais cara, transporte mais caro devido às enormes distâncias a percorrer diariamente – isso e mais uma série de impactos que o bolso passa a sofrer com uma mudança assim. E de repente, o salário que parecia muito maior, fica insuficiente até pra prover aquilo ao qual já estávamos acostumados.
Aí é que percebemos: PROPORCIONALMENTE (ou seja, o salário em relação ao custo de vida daquela cidade), a proposta não era assim tão boa. Cinco mil reais em uma capital não garante a vida tranquila que garantiria em uma cidade não-turística de 50 mil pessoas.

... que o santo é de barro

Por isso, se você visualizou uma aparentemente grande oportunidade em outra cidade, antes de sair procurando por empresa de mudança pondere sobre alguns pontos iniciais – antes mesmo de se empolgar com a ideia:
- se informe sobre o custo dos alugueis de lá. Identifique sua necessidade real (apartamento de 2 quartos? Quitinete? Pensão?) e procure por imóveis deste tipo por lá. Atualmente, as imobiliárias já têm sites com sistema de busca por imóveis de acordo com as características, o bairro em que se localiza, faixa de preço de aluguel, entre outras características. O ideal é procurar por imóveis que fiquem perto do local onde vai trabalhar ou estudar, para economizar no transporte. Se for possível, procure informações sobre os índices de criminalidade de lá – parece pessimismo, mas isso é importante para que você adapte à sua conduta, caso realmente se mude para lá.
Se informe sobre o custo da alimentação, principalmente se você pretende fazer suas refeições em restaurante. A indicação de algum morador daquela cidade seria o melhor mas, caso não haja essa possibilidade, verifique pela internet os restaurantes próximos ao local e tente fazer contato com eles. O esquema de mensalista é sempre mais barato – mas um mensalista na grande cidade pode pagar bem mais do que um comensal eventual que vá ao melhor restaurante da sua cidade atual. Este é um serviço que habitualmente apresenta grande variação nos preços, mesmo que sejam restaurantes de nível semelhante.
Isso é só o começo, mas já vai definir o que vai acontecer com suas contas a médio e longo prazo se aceitar a proposta – e por isso mesmo já vai deixar bem claro se é uma boa ideia ou se é barco furado. E é importante: se as contas iniciais deixarem claro que você vai precisar voltar atrás logo logo, não tenha dúvidas: é melhor abrir mão. Algumas pessoas mais sonhadoras imaginam que chegando lá poderão procurar um “bico” para ajudar nas despesas, mas mesmo estes trabalhos informais estão concorridos como ingressos para shows de grandes bandas. Além disso, este “bico” pode interferir em seu trabalho ou em seu tempo de descanso/estudo, prejudicando seu rendimento e colocando sua vaga em risco.
Quando o assunto é se mudar para outra cidade em busca de uma oportunidade aparentemente perfeita, cada detalhe deve ser pesado separadamente para que só então se tenha a noção real do tamanho da aventura e se ela cabe nos nossos braços. Não é hora de ser emocional nem “sonhador”: mantenha os pés firmes no chão e deixe para sonhar só se a avaliação mostrar que a oportunidade tem tudo pra dar certo.
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